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Mercantilismo Religioso e o Comércio da Fé Imprimir E-mail
25-Jun-2009

Semelhantes aos supermercados, as Igrejas atuais disputam ferrenhamente os fieis clientes. A diferença é que eles oferecem produtos mais baratos e, elas, prometem alívio ao sofrimento, paz espiritual, prosperidade e salvação.


Por enquanto, não há confronto nessa competição. Há, sim, preconceitos explícitos em relação a outras tradições religiosas, em especial às de raízes africanas, como o candomblé e a macumba, e ao espiritismo. Para explicitar esse ranço de segregação religiosa, é só recorda a última eleição ocorrida no município Bayeux, em que a fé foi o suporte utilitarista da campanha propagada pela coligação “Em Nome do Bem”.

Se não cuidarmos agora, essa demonização de expressões religiosas distintas da Cristã pode resultar, no futuro, em atitudes fundamentalistas, como acontecia nas antigas cruzada medievais, tendo a convicção, que em nome de Deus, o outro precisa ser desmoralizado e destruído.

Quem mais se sente incomodada com a nova geografia nacional da fé é a Igreja Católica. Quem foi rainha pode perde a majestade, pois, movimento protestantista emerge em um considerável crescente no país tupiniquim. Em razão disto, nos últimos anos, o número de católicos no Brasil decresceu 20% (IBGE, 2003). Hoje, são cerca de 73.8% da população brasileira.

Para alguns carismáticos e reformistas, essa perca de fieis é caudada pelo motivo da Igreja Católica não conseguir se modernizar tanto quanto as rivais protestantes. Sua estrutura piramidal faz com que tudo gire em torno das figuras de bispos e padres. O resto são meros coadjuvantes. Aos leigos não é dada formação, exceto a do catecismo infantil. Compare-se o catecismo católico à escola dominical das Igrejas protestantes históricas e se verá a diferença de qualidade.

Atualmente a estrutura predominante na Igreja Católica localiza-se na paróquia. Encontrar um padre disponível às três da tarde é quase um milagre. No entanto, há igrejas evangélicas onde pastores e obreiros fazem plantão toda a madrugada.

“Não insinuo assoberbar ainda mais os padres. A questão é outra: por que a Igreja Católica tem tão poucos pastores? Todos sabemos a razão: ao contrário das demais Igrejas, ela exige de seus pastores virtudes heróicas, como o celibato. E exclui as mulheres do acesso ao sacerdócio. Tal clericalismo trava a irradiação evangelizadora” expressa Frei Betto*.

O argumento de que assim deve continuar porque o Evangelho o exige não se sustenta à luz do próprio texto bíblico. O principal apóstolo de Jesus, Pedro, era casado (Marcos 1, 29-31); e a primeira apóstola era uma mulher, a samaritana (João 4, 28-29).

Enquanto não se puser um ponto final à desconstrução do Concílio Vaticano II, realizado para renovar a Igreja Católica, os leigos continuarão como fiéis de segunda classe. Muitos não têm vocação ao celibato, mas sim ao sacerdócio, como acontece nas Igrejas Anglicana e Luterana.

“Ainda que Roma insista em fortalecer o clericalismo e o celibato (malgrado os escândalos freqüentes), quem conhece uma paróquia efervescente? Elas existem, mas, infelizmente, são raras. Em geral, os templos católicos ficam fechados de segunda à sexta (por que não aproveitar o espaço para cursos ou atividades comunitárias?); as missas são desinteressantes; os sermões, vazios de conteúdo. Onde estão os cursos bíblicos, os grupos de jovens, a formação de leigos adultos, o exercício de meditação, os trabalhos voluntários?” explica e questiona Frei Betto.

Aliás, as Igrejas evangélicas sabem lidar com os meios de comunicação de massa, inclusive a TV aberta. Pode-se discutir o conteúdo de sua programação e os métodos de atrair fiel. Porém, sabem falar uma linguagem que o povo entende e, por isso, alcançam tanta audiência.

A Igreja Romana tenta correr atrás com as suas showmissas, como fazem os showscultos pelos evangélicos, com padres aeróbicos ou cantores, os movimentos espiritualistas importados de outros continentes. É a espetacularização do sagrado e profanação da fé; fala-se aos sentimentos, à emoção, e não à razão.
Interessante seria Bento XVI entender que o Papa também é Pop, como são alguns bispos, missionários e pastores evangélicos.


* [Autor parceiro do teólogo Leonardo Boff, em "Mística e Espiritualidade" (Editora: Garamond), entre outros livros].
* Escritor e assessor de movimentos sociais.

*A seção Colunistas é de responsabilidade de seus autores.

 
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GUTEMBERG DE LIMA DAVI

Tecnólogo em Geoprocessamento (IFPB/CEFETPB)
Graduando em Comunicação Social (UFPB)
Assessor de divulgação/cultura do SESC-PB

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